Seminário Integrador 3
No seminário Integrador 3, embora não tenha conseguido lidar com algumas dificuldades de acesso à Internet (o que me prejudicou muito no decorer de todo o semestre) estou terminando o ano com uma bagagem enorme de aprendizados... Depois de “enfrentar todo o sufoco” diário, concluir o semestre e superar os obstáculos não foi nada fácil, mas estou aqui, consegui!!!!! Só tenho a agradecer à toda equipe responsável pelo curso e alguns colegas que me deram o maior incentivo e foram por muitas vezes minha maior força para não desistir do meu sonho! Não tenho mais palavras para descrever o quanto isso foi importante na minha vida, o exemplo de humanidade acima de tudo foi a maior conquista para minhas aprendizagens... Apartir daqui, de mais essa etapa vencida, posto então aquilo que foi mais significativo das aprendizagens de cada interdisciplina, esperando estar de acordo com aqueles conceitos sobre argumentos e evidências que vimos e ficaram muito mais claros pra mim agora.
Literatura Infantil
Na literatura percebi toda a importância do trabalho que já fazia com histórias e pude refletir e acrescentar coisas novas a esse trabalho. No início da interdisciplina lembro do nome da professora Suyan, já havia feito outras oficinas com ela e sabia o quanto aquela perspectiva do enfoque da literatura infantil era até de certa forma “mágica”, fiquei estimuladíssima para começar e também não seria diferente no transcorrer das atividades, principalmente na hora de levar tudo que aprendi para minha sala de aula. Contei e recontei muitas histórias para os meus pequenos do Jardim de Infância. Falo do recontar porque esse também era um momento muito especial, pois além de eles demonstrarem que já haviam gostado da primeira contação, mesmo que essa tivesse sido feita de uma maneira bem simples (mas claro cuidando de daqueles pontos básicos como o preparo da história, o ambiente e a hora adequados, a entonação de voz, enfim, o encantamento, os elementos imaginários). Me deliciei em aproveitar bem todos esses momentos, um em especial foi extremamente marcante: uma “série” de histórias quase de suspense que contei, eram todas histórias de monstros, bruxas, fantasmas, nas quais todas tinham alguma coisinha diferente como a minha roupa à caráter, pintura de rosto ou mesmo uma caixa mágica de onde poderiam sair qualquer surpresa, e também algumas terminavam com músicas (essa música foi ótima: “Ah, é a bruxa, ah! É malvada, ah! Que vai pegar toda a garotada, aaaahhhh!!!! Puxa, puxa, puxa a vassoura da bruxa...), foi sensacional!!!!!!!!!!!!
Artes Visuais
Artes foi um desafio e tanto em todos os aspectos. Me apavorei desde o início pois nunca consegui entender muito do assunto embora sempre tivesse me dispertado curiosidade e admiração. Então, toda a interdisciplina me conquistou de uma forma contagiante. Me redescobri no ensino artístico, conseguindo ressignificar meu trabalho diante de uma proposta triangular. Consegui construir em sala de aula muitas alternativas coerentes com uma proposta realmente significativa nessa área:foi o máximo levar até meus alunos fotos da bienal, trabalhos artísticos em alguns softwares (como o kid pix e alguns outros de pesquisa), fazer arte de diversas maneiras (incluindo pinturas com diferentes técnicas e materias, até mesmo construções com sucata), visitar a arte na cidade e conhecer formas artísticas na própria comunidade escolar, contando com uma exposição nossa no final de tudo isso. Pra mim todo o trabalho foi uma descoberta, a cada passo surpreeendente!!!! A única frustração que ainda carrego é de todo material disponibilizado ser tão lindo, tão rico e eu não ter conseguido salvar e nem aproveitar direito os acessos que fazia em uma lan house, que pena, mas sem dúvida, considero que a essência ficou no meu aprendizado e no reflexo das minhas ações com os alunos.
Ludicidade
Em Ludicidade, estudei a importância de proporcionar um ambiente lúdico na sala de aula, envolvendo jogos que valorizem o pensar, o agir, o desafio (até mesmo aquele “velho conhecido” da Educação Infantil que é o jogo simbólico) para o desenvolvimento integral do ser humano. Meu maior aprendizado nessa interdisciplina foi através de um material extra, um texto da Tânia Fortuna que falava sobre “Escola, lugar de lan house?”, pois pretendo pesquisar mais e ampliar a minha forma de trabalhar com o laboratório de informática com as crianças, e descobrir que esse momento também tem tudo a ver com o lúdico está sendo um grande início para proporcionar um bom trabalho nessa área, quero aprender! Sinto que conviver com essa perspectiva lúdica é importante não só pelo que vimos sobre nossos alunos, mas também pelo que pode tornar muito melhor e prazeiroso o dia-a-dia do professor tanto pelo lado profissional quanto pessoal, posso afirmar isso por experiência própria. Só um exemplo: não teve coisa melhor esse semestre que participar das brincadeiras junto com as crianças, desde os bolinhos de areia até mesmo as correrias e brincar de vampiro, foi bem legal!!!
Teatro
Quem diria, eu fazendo teatro!!!! Foram muitas emoções... Ver meus pequeninhos do jardim como artistas, levando os exercícios e toda produção teatral tão à sério foi um orgulho! Perceber o quanto eles se desenvolveram com esse processo de se soltar, de agir, de perder o medo, a insegurança, foi um sucesso maior ainda! E também superar a minha insegurança, depositando a confiança neles, que eles eram capazes de apresentar uma peça até mesmo com falas na frente de todos... Lembro que um acontecimento que me surpreendeu bastante durante a execução das tarefas de teatro, já tínhamos feito alguns exercícios e começávamos a ensaiar uma pequena peça, quando levei as crianças para assistirem um teatro de bonecos que estava passando na casa de cultura do município, o lugar estava lotado e logo que nos sentamos nas primeiras cadeiras comentei brincando com quem estava mais próximo: “Quem sabe a gente apresenta o nosso teatro depois desse?”, um menino me respondeu meio com um sorriso desconfiado que não, imagina só; assistimos a peça e quando terminou, para minha surpresa, o comentário era geral, inclusive daquele menino: “Vamo, profe, vamo, é a nossa vez agora profe?” aquilo pra mim já foi o máximo mas eles ainda foram além... Fizemos pequenas apresentações com dança e algumas técnicas com as outras turmas, e, para fechar com chave de ouro, montamos uma exposição com tudo que preparamos para aquele grande momento e nos apresentamos para os pais num dia de reunião na escola. Não tenho palavras para descrever a emoção de todos que estavam presentes, inclusive a minha, ver aquela teoria que eu queria colocar em prática, ali, naquele momento real e mágico ao mesmo tempo, foi maravilhoso e com certeza inesquecível!
Música
Acredito que música e Educação Infantil já estão historicamente vinculadas. Às vezes claro, de uma forma ultrapassada e pobre como naquelas “quase eternas” músicas de condicionamento para chegar à aula, dar bom dia, lanchar, lavar as mãos, almoçar e tantas outras... É até de dar risadas, ou melhor, de chorar, só de lembrar que um dia fomos ensinadas a ensinar só isso e ainda por cima criticar quando as crianças ouvem só a Xuxa ou agora então pior ainda com a atualíssima história do funk. Ainda bem que um dia existem coisas e interdisciplinas que nos fazem abrir os olhos para tamanhos absurdos que cometemos. Pra começar, nunca gostei dessa história de crítica, pois cada um com seu gosto, e eu particularmente sempre gostei da Xuxa (e ainda sobre meu gosto, o Xuxa Só para Baixinhos é ótimo) e sinceramente que chato concluir de forma estanque e ignorante que temos que proporcionar aos nossos alunos só um refinado gosto musical (de acordo com os nossos julgamentos de pedagogicamente bom ou ruim). Claro que temos que mostrar de tudo, mas aprendi que isso inicia com a valorização daquilo que as crianças trazem (em como explorar coisas que nem sempre são as mais adequadas para nós), depois com a exploração de novos “ambientes” e ritmos, para ampliar a visão e aprimorar o ouvido musical de todos, afinal o Brasil tem essa característica de ser uma mistura constante de ritmos, vale ao professor saber aproveitar toda essa criatividade. Eu tive a sorte de já poder fazer uso de um acervo bem diversificado que a escola tinha (como coletâneas do Pixinguinha, Toquinho, cd's do Palavra Cantada, Beto Herman, Turma da Mônica e até um cd gravado por um pai só com voz e violão), completar com um material que baixei da internet como sambas enredo, músicas para rodas cantadas, rodas de capoeira, sons e ruídos diversos (barulhos da água, do vento, eletrodomésticos, carros, animais,etc), temas de novelas, filmes infantis, e com mais o material disponibilizado na interdisciplina, consegui fazer a minha aula ficar rica quanto à musicalidade. Conforme meus alunos foram aprendendo a lidar com o material, criamos junto um cantinho na sala onde tínhamos um rádio e uma pequena estante com cd's que consegui gravar e algumas doações deles, com músicas que gostavam; também ampliamos com a confecção de instrumentos com sucata e um painel que usávamos para colocar recortes de jornais e revistas que falassem sobre música em geral (cantores, grupos, bandas, apresentações, etc...). Acredito que o trabalho rendeu bons frutos, especialmente nesse aspecto de valorização das diferenças, gostos e ritmos, uma evidência clara disso foi o retorno que tive: ao “final” das atividades, a maior sensação entre as crianças era participar de rodas com ritmos afro, como o candomblé (principalmente capoeira), o que antes era um momento discriminatório principalmente quando entrávamos no fator religião, o maior ganho foi todos aprenderem a respeitar o espaço do outro.
EPPC
Em EPPC, parei para refletir na última atividade e pude ver o quanto evolui nos meus conhecimentos desde o início da interdisciplina, além de todos os momentos de aprendizagem também serem muito bem aproveitados na prática, com a construção do projeto político-pedagógico na escola onde trabalho. Conforme foi passando o semestre, pude estabelecer um novo olhar em relação aquilo que já praticava e apartir de então adquirir argumentos concretos e referências para realizar um bom trabalho profissional e também aprender a documentá-lo adequadamente, para a valorização dessas práticas. A bibliografia que vi durante esse período me fez ampliar a visão sobre a prática diária, principalmente agora na Educação Infantil onde esse movimento ainda é bem recente e de certa forma inovador, com a ruptura de antigos conceitos e culturas que viam esse lugar apenas como “creche, lugar de cuidar de crianças”. Sinto que nesse momento, faço parte da história na Educação Infantil e me especializar para ressignificar cada vez mais esse espaço educativo qualificado, como lugar de cuidar e educar, torna-se importante com todos os novos aprendizados. Considero estar construindo, com cada detalhe, daqui e dali, uma “colcha de retalhos” (como fala na Proposta Pedagógica da Educação Infantil de Porto Alegre, 2ª ed, 1999), a ser tecida com a dedicação do dia-a-dia e amor por um segmento que ainda mais no setor público é muito pouco valorizado.
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