terça-feira, 4 de maio de 2010

Trabalhos Individuais, em Dupla ou em Grupo?

No desenvolvimento das atividades em sala de aula, sempre me questiono sobre a melhor técnica de aplicação para o momento. Tendo as minhas concepções sobre como ocorre a aprendizagem, opto por interações que explorem o coletivo. Sob um olhar generalizado então, poderia afirmar que o tempo todo seriam interessantes apenas trabalhos realizados em dupla, em trios ou em grupos. Porém, cabe ressaltar a importância também dos trabalhos individuais. A concepção de aprendizagem e ensino se expõe não na escolha desta ou daquela técnica mas na forma como são aplicadas durante o contexto da aula. De nada adianta escolher uma proposta em grupo, imaginando uma relação com o interacionismo, se no desenvolver da atividade a metodologia for extremamente tradicional. Assim como, de nada vale excluir atividades individuais por não serem adequadas a uma imagem idealizada e incorreta sobre sócio-interacionismo.

"(...)É claro que nem tudo deve ser feito de forma coletiva, pois são igualmente essenciais a exposição do professor e tarefas individuais de crianças e jovens, mas é preciso compor esses momentos articulando com coerência as ações pessoais e coletivas. Essa construção conceitual e afetiva depende do trabalho em grupo, em que se desenvolvem afinidade e confiança, identificam-se potencialidades e aprende-se com os demais(...)" (MENEZES, Luís Carlos de, Revista Nova Escola, 05/2009, Disponível no Endereço: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/educacao/conteudo_468745.shtml)


Eu várias vezes me equivoquei ou não sabia traçar uma linha teórica da minha prática docente por acreditar que momentos que contemplassem certas individualidades contradiziam a teoria que eu julgava mais coerente. Hoje posso afirmar que, com as minhas concepções teóricas definidas, com a intencionalidade do meu planejamento, tenho segurança em realizar com meus alunos trabalhos individuais (até por que os julgo extremamente necessários no contexto escolar) absolutamente contextualizados na proposta de ensino e aprendizagem que creio, sem criar segmentações na minha prática.
Como evidência disso, posso trazer como exemplo os exercícios matemáticos, especificamente os cálculos. A princípio poderia julgá-los como uma prática de estímulo pergunta/resposta. Porém, além da parte da realização individual desta "tarefa", sempre abordo a correção coletiva, e mesmo um momento de trocas entre os colegas, nas quais quem já possui o domínio do conteúdo pode intervir criando situações de ajuda. Então posso concluir que um simples exercício individual se transforma em uma ampla possibilidade de interação, dependendo do modo de aplicação (metodologia).

Para deixar aqui mais uma contribuição, quero compartilhar um link interessante de um texto escrito por Camilo Gomide e Bruna Nicolielo,
sobre 10 motivos para apostar em trabalhos em grupo: http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/apostar-trabalho-grupo-508577.shtml

Não há uma receita do melhor ou da mais adequada técnica para utilizar em sala de aula. O que sempre deve ocorrer é a sensibilidade do olhar atento do professor.
Pensando nessas questões começo a contruir, entre outras coisas, meu planejamento sobre o desenvolvimento de um Projeto de Aprendizagem com meus alunos.

Um comentário:

Marga disse...

Receita, de fato não há! Uma vez tendo escolhida a construção de uma aprendizagem, em grupo, tu so precisas te em mente qual a função que cada elemento desempenhara na atividade a ser desenvolvida. Grupos operativos tendem a trabalhar com desafios maiores. a interação beneficia a socialização e a criatividade, alem de atender os principios cognitivos e emocionais. Parabéns pela abordagem, e muito importante o enfoque da tua reflexão.Abraços, Luciane!